E' preciso, por vezes, falar bem claro
Mas explicar confuso.
E nesse interim, acaparar as atencoes.
As atencoes todas... Faltas de informacao
Mas ja formadas,
As suas opinioes todas,
Irao, indefectivelmente a deformar
Ate ficarem preenchendo
Os seus bosques de quercinias mentais...
Vil, o dono de ninguem, nem se governa
Deixa-se pairar, qual coisa, sem destino
Anunciado. E esse e' o pertransir
Que faz o seu leve toque,
Na macula do dia
Que ingenuo,
Mais uma vez,
Se esqueceu de acabar...
Aleg7, olá! Gostei especialmente do paradoxo inicial: a necessidade de falar claramente e, ao mesmo tempo, explicar de forma confusa. O poema transforma a falta de informação, as opiniões já formadas e a atenção capturada num espaço mental quase labiríntico, onde o próprio pensamento começa a deformar aquilo que observa. E o final, com esse dia que novamente “se esqueceu de acabar”, deixa uma sensação estranha e muito apropriada de pensamento suspenso.
Com respeito,
Sergey Buhdruker
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